A nossa tão conhecida avenida, por sua localização e importância, tem se tornado tema dos mais variados debates nos meios de comunicação, nos bares, restaurantes, no meio político, e principalmente dentre aqueles que nela têm seus estabelecimentos e residências, que fizeram e fazem a avenida ser o que é.

Em geral as pessoas enxergam a tão afamada avenida como via de passagem, de ligação entre outros bairros, local em que estão estabelecidos bancos, centros financeiros, clínicas, lojas, hotéis, shoppings, como se ela tivesse uma vida das 9h00 às 18h00, de segundas às sextas-feiras, e permanecesse fechada nos outros horários, só com calçadas e trânsito, sem ocupação nos arranha-céus.

Essa cortina precisa ser aberta! 

A vocação primária do local foi residencial, e quase duas dezenas de prédios residenciais ainda existem e abrigam muitos moradores. Situações simples do cotidiano revelam a impressão popular, e até das autoridades, como questionamentos de balcão no preenchimento de formulários: ao declarar o endereço logo algum recepcionista replica dizendo que precisa do endereço residencial.

Ao abrir das cortinas encontramos uma comunidade de gente disposta a melhorar o cartão postal da cidade mais importante da América Latina.

Pode não ser tão visível aos olhos distantes, mas os bancários, os trabalhadores do comércio, de serviços, os moradores, todos se encontram nos bares, restaurantes, mercados, livrarias, cafés, salões de beleza, nos dois parques, em vários locais, onde, por se conhecerem, mantém convívio de vizinhança como em qualquer outro bairro da cidade.

A inclusão tem sido assim uma forma de vida ao longo de toda a avenida há décadas.

A comunidade, a partir do momento que percebeu um verdadeiro declínio de conservação, manutenção, fiscalização, o aumento de prática de furtos e roubos, passou a mostrar também sua união na busca de melhorias. Os problemas comuns aos que aqui mantém estabelecimentos comerciais, de serviços e os dos moradores fizeram surgir um novo pacto que inclui os bairros das imediações também -  pois que sofrem diretamente as consequências do que ocorre na Avenida Paulista.

Todos os setores sofrem os problemas de ruídos, da guerra sonora, dos ambulantes não autorizados (que já estão sendo devidamente fiscalizados), de segurança, e da falta de acesso aos imóveis da Paulista nos domingos e feriados.

Todos estão mobilizados nesse novo pacto: o MASP está promovendo mostra dedicada aos seus entornos, os moradores promovendo eventos e debates, a Associação Paulista Viva em ações diretas nos parques e ajudando a melhora da comunicação entre os diversos setores, a Sociedade de amigos e empreendedores de Cerqueira César auxiliando com suas conquistas e plantio nas calçadas da região.

A união está mostrando uma mudança, mas também está listando a série de problemas que ainda devem ser resolvidos, tais quais ruídos excessivos, trânsito caótico nas imediações aos domingos e feriados (devido ao conturbado tema do fechamento), e a difícil questão de ter uma única avenida gerida por três Prefeituras Regionais distintas.

A Avenida Paulista é mais que uma via de passagem sim, é toda uma comunidade inclusiva, sem preconceitos, que merece e quer ser ouvida, que não fecha após as 18h00, que existe nos finais de semanas.

Respeito, inclusão e união!

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.