Inclusão, união e respeito indicam que todas as ações e atitudes são sempre vias de duas mãos, e que abusos, gastos desnecessários, imposição de ideais pelo poder, pela força ou interesses pessoais não podem ser tolerados quando o caso envolve dinheiro público.

Criado, talvez, para dar mais eficiência ao Poder Executivo fora do Distrito Federal, o escritório da Avenida Paulista abrigou o Presidente para despachos e reuniões, assim como serviu aos Ministros de Estado, mas não atende mais sua finalidade.

Na esteira da criação desse gabinete seguiram-se os de São Bernardo e Florianópolis, estes últimos já desativados, e os de Belo Horizonte e Porto Alegre durante a gestão da Presidente Dilma Roussef. Os primeiros foram abrigados pelo Banco do Brasil, que arca com custos de manutenção e limpeza, e o de Porto Alegre permanece estruturado, porém inativo dentro da Petrobrás.

Com estrutura e funcionários, inclusive chefia de gabinete, o Brasil paga um alto preço por algo que já não se mostra mais necessário, pois pouco funcional, e minimamente utilizado pela Presidência e Ministros.

As notícias de destaque durante o último ano se limitam a encontros do chefe de gabinete com alguns prefeitos de cidades do Estado de São Paulo, além de invasões, ocupações e manifestações endereçadas ao Palácio do Planalto, que as ignora ou delas permanece distante.

Não se entenda aqui que os manifestantes e as vozes das ruas não devam ser ouvidos, nem mesmo que suas reivindicações sejam injustas, pois expressam por vezes realidades ignoradas por políticas públicas ineficientes.

As manifestações existem na sede do gabinete com a finalidade de alcançarem visibilidade, mas além do tumulto que causam aos locais, não alcançam seu objetivo por serem ignoradas, e distantes do alvo e dos interlocutores que pretendem atingir.

As pessoas que trabalham nas imediações do gabinete sofrem com problemas de insegurança, barulho excessivo durante horas, dificuldade de locomoção, e a aglomeração traz consigo oportunistas que não têm qualquer relação nem com os movimentos e suas reivindicações e nem com quem está estabelecido na região.

Os moradores convivem diuturnamente com ruídos excessivos, ineficiência de coleta de lixo, dificuldades de locomoção, e por vezes com hostilidade, pois há quem pense que a elite deste país reside na região da Paulista, esquecendo-se dos tantos outros endereços dos colunáveis.

O gabinete da Avenida Paulista é uma demonstração de gasto desnecessário de dinheiro público e de exclusão. Exclui os comerciantes e escritórios que têm se empenhado em sua sobrevivência durante a crise pela qual o país passa! Exclui os moradores que, também sobreviventes, convivem com toda sorte de consequências de manifestações e ocupações! Exclui os manifestantes que ficam relegados ao desprezo das autoridades, mantidos longe, na Avenida Paulista.

A comunidade da Avenida Paulista também está sendo desrespeitada e excluída com a manutenção do gabinete, sem função, na sede do Banco do Brasil.

Pela desativação do gabinete regional da Presidência em São Paulo!

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.